domingo, 29 de abril de 2012

Sobre (c)orações;


“Você sabe, menina. No fundo você sabe que é só mais uma garota de coração quebrado e uma não-história de amor para contar. É só mais um desses descasos do destino que ninguém se incomoda. Mas, com o tempo toda esta história de corações partidos se tornam repetitivas e desconexas, aquela teoria de que o coração bate por uma só pessoa passa a ser refutável, já que ele continua a bater, não por aquela mesma, mas bate.

Bate porque é preciso, porque enquanto bate, ainda que falho e maltratado, o mundo continua em rotação, os problemas continuam sem solução, e os dias vão colocando os meses para traz. No final, cada um empacota a dor e aprende a carregá-la - não que esta se torna mais leve, não mesmo- é só que os ombros acostumam-se com o peso.

Todos sabem ir levando com as dores, mesmo que algumas passem com analgésicos e outras com tempo, sempre passam. E o coração bate. No fundo, bate na esperança de que encontre alguém que o faça bater mais rápido, alguém que enfim se comprometa, alguém que seja diferente de tantos outros que se esbarraram, a derrubaram e não a ajudaram levantar. Bate, sobretudo porque é forte e apesar de ver uma enorme tristeza na solidão, prefere ser só do que dividir-se com alguém que não se importa de verdade.

Enquanto os outros estão caçando paixão e participando de conversas fúteis; você está afogando sentimentos em álcool, ou imersa em livros e chá, esperando alguém igualmente intenso e que não se contente com o comum, com o médio, com o pouco.

Está ai, zelando pelo coração que bate mesmo ferido e maltrapilho. Boa sorte, menina. Espero que tudo se ajeite e que vires uma dessas exceções que finalizam a vida sabendo o que é ser feliz.”

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